Ken Akamatsu

Formado em literatura pela Faculdade Chuuou, Akamatsu iniciou sua carreira nos mangás como fanzineiro. Já impondo seu estilo debochado, ele satirizava inúmeros personages famosos – sobretudo heroínas. A partir de 1989, começou a participar de concursos de mangás, promovidos pelas principais revistas do gênero. Em 1993 conquistou um prêmio no 50º Concurso de Novos Talentos da Shonen Magazine. Em 1998, já profissional, lançaa sua obra mais famosa: Love Hina. O autor das divertidíssimas aventuras de Keitarô, Naru Narusegawa e da turma da Pensão Hinata ainda fez uma ponta como dublador nos especiais de Natal e de Primavera de Love Hina.

Perfil Ken Akamatsu
Nascimento: 5 de julho de 1968
Local: Nagoya (Província de Aichi)
Principais obras: (em mangá) Hito Natsu, no KIDS Game, 1993 AI ga Tomaranai (O Amor Não Pára), 1994 Itsudatte My Santa (Meu Papai Noel para Sempre), 1998 Love Hina, 1998
Site oficial: www.ailove.net

Entrevista
Confira uma entrevista exclusiva com Ken Akamatsu:

Quando e por que você resolveu fazer mangá? Em seu site, você escreveu que foi por causa da Sailor Júpiter. Poderia nos contar essa história?
Ken Akamatsu: A história da Sailor Júpiter foi só uma brincadeira. Comecei a fazer mangá depois de entrar na faculdade. Na época, estava decidido a trabalhar em alguma atividade criativa.Então, entrei nos clubes de cinema, mangá e anime da faculdade. No final escolhi o mangá que tinha mais a ver comigo.

Antes disso, você nunca trabalhou com mangás?
Ken Akamatsu: Eu só gostava de ler.

Quais os trabalhos e autores que mais o influenciam ou influenciaram?
Ken Akamatsu: Meu traço foi muito influenciado pelo Izumi Matsumoto (de Kimagure Orange Road). Atualmente gosto muito do Yoshiyuki Sadamoto (Evangelion) e Yoshihiro Togashi (Yu Yu Hakusho e Hunter X Hunter).

Antes de se tornar um autor profissional de mangá, você costumava fazer fanzines. Como era esse “trabalho”? E por que optou em fazer paródias de personagens famosos em vez de criar suas próprias histórias?
Ken Akamatsu: Antes de começar a fazer um trabalho original, pensei que seria útil aprender e praticar os tipos de traços que faziam sucesso entre os fãs. Aí resolvi começar fazendo paródias de trabalhos famosos.

Nessa época, você esperava se tornar profissional na área de mangás?
Ken Akamatsu: Quando comecei a fazer fanzines, meu interesse estava mais voltado para a área cinematográfica… Não botava muita fé na área dos mangás.

Fale um pouco sobre o fanzine da Chun-Li (Chun:Li Only).
Ken Akamatsu: Fiz esse fanzine quando estava no segundo ano da faculdade. A experiência foi muito divertida porque tinha sido a primeira vez que senti a alegria de fazer uma revista sozinho.

Em seus fanzines, geralmente, você satiriza personagens famosos de outros mangás e animes. Qual seria a sua “vitíma” preferida para colocar em situações embaraçosas como o fanzine que você fez com a Sakura (de Sakura Card Captors)?
Ken Akamatsu: No momento, não tenho ninguém na cabeça.

Qual a sua opinião sobre o mercado de fanzines no Japão?
Ken Akamatsu: O desenho dos fanzineiros japoneses ficou tão bom que, nos últimos tempos, não existe mais aquela surpresa de encontrar um trabalho legal.

Você continua fazendo fanzines?
Ken Akamatsu: Continuo, mas parei de fazer paródias. Agora eu coloco as histórias de bastidores e compilo os model-sheets dos meus próprios trabalhos.

Você recomendaria às pessoas que querem ser desenhistas profissionais de mangá a fazer fanzines?
Ken Akamatsu: Sim, principalmente para que os novos desenhistas aprendam a fazer os traços que fazem sucesso na atualidade.

Qual das atividade você curte mais: fanzine, mangá profissional, desenvolvimento de game ou anime?
Ken Akamatsu: Não sei dizer direito qual a minha preferida, mas posso afirmar que todas elas são trabalhosas (risos).

Você começou a trabalhar profissionalmente depois que ganhou o concurso da Kodansha. Como foi receber um prêmio tão importante como esse?
Ken Akamatsu: Ganhar o concurso não garante que você comece a trabalhar profissionalmente. Na ocasião, me lembro que estava decidido a concentrar os meus esforços para trabalhar só em mangás.

Seu trabalho de estréia no mangá foi Hitonatsu no KIDS Game, o mangá que ganhou o concurso. Fale-nos um pouco sobre ele.
Ken Akamatsu: Foi um mangá que fiz logo depois de entregar meu trabalho de formatura na faculdade – era uma época em que não tinha tempo para nada. Ser premiado logo depois de me formar foi muita sorte!

Como surgiu a idéia da história de Love Hina?
Ken Akamatsu: Peguei um universo semelhante ao do game “Tokimeki Memorial” e adicionei novos elementos, como o vestibular da Toudai e o lance da hospedagem com águas termais.

Por que você escolheu Love Hina como o nome (título) do mangá?
Ken Akamatsu: O título é uma abreviação de “Love! Hinata-sou” (Amor! Pensão Hinata ou numa tradução mais adaptada, Hinata, A Pensão do Amor).

Existe algum personagem parecido com você na história de Love Hina?
Ken Akamatsu: Sim, o Keitarô.

Você se parece com ele em que sentido? Já vivenciou alguma situação parecida com as de Keitarô?
Ken Akamatsu: O Keitarô é igualzinho a mim por ter sido reprovado no vestibular e por não fazer sucesso entre as garotas (risos).

Qual seu personagem preferido de Love Hina?
Ken Akamatsu: É a Motoko. Ela possui uma aparência durona mas, no fundo, é uma pessoa doce que chora de vez em quando. Ela é uma gracinha!

O que você achou da versão anime da sua obra?
Ken Akamatsu: Gostei bastante porque a qualidade da animação e do roteiro estão bem estáveis e não ficou com uma aparência de produção barata. Você pretende retomar o mangá de Love Hina algum dia?
Ken Akamatsu: Hmmm… Se os fãs pedirem… Quem sabe?

Qual é a sensação de saber que sua obra está fazendo sucesso no Brasil, um país tão distante do seu?
Ken Akamatsu: Fico surpreso por saber que a cultura otaku do Japão seja aceita num país estrangeiro.

Você gostaria de conhecer o Brasil?
Ken Akamatsu: Sim. Sou grande fã de bossa nova (Tom Jobim etc.). Gosto daqueles acordes de violão.

Poderia mandar alguma mensagem para os fãs brasileiros?
Ken Akamatsu: Por volta de julho deste ano, a TV japonesa irá exibir um novo desenho animado, chamado Rikujou Boueitai Mao-chan (A Pequena Mao da Tropa de Defesa Terrestre), em que tive participação. Atualmente também estou preparando um novo mangá (que nada tem a ver com Love Hina). Se tiverem a oportunidade de assistir ou ler esses trabalhos, por favor, dêem uma conferida.

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